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O FANATISMO nosso de cada dia


O fanatismo é pai do exagero. Não se fala em justa medida ou equilíbrio quando se faz referência ao fanático. É natural que essa primeira impressão acerca do termo seja dominante, pois diante do amplo espectro de filosofias, ideologias, religiões, modos de vida, tradições e culturas, os indivíduos que seguem tão rigorosamente suas convicções ficam inteiramente absorvidos por suas relações com as crenças ou vivências que abraçaram.

 

O FANÁTICO NÃO TEM EXPERIÊNCIA RELIGIOSA, TEM TRANSE. E não pense você que está livre dele, pois é universal e contamina qualquer segmento que projete fé em algo (ainda que a fé seja a de não ter fé em nada). O caráter universal do fanatismo confere a qualquer crença ou convicção a possibilidade de ser afetada pelo excesso. Sendo aplicável a qualquer crença, o fanatismo nivela os diferentes grupos que, em nome de sua própria ortodoxia, desbordam igualmente da razoabilidade e agem com práticas nocivas aos demais indivíduos do próprio grupo ou aos de fora. E também não basta que o rigorismo religioso ou ideológico leve um indivíduo a seguir o modus vivendi de acordo com os padrões desta ou daquela crença, mas também fazer com que outros adiram a tal modelo que se entende ideal para nortear suas vidas, o convívio social e o Estado.

 

Há algo de vaidade ou de orgulho na convicção e na profissão de fé na crença “correta”. O indivíduo fanático, absorto em suas práticas ritualísticas (sejam religiosas, ideológicas etc), parece tentar impor valores seus aos outros, imposição tal que, pelo discurso ou pela violência, pretende seduzir seu interlocutor a crer ou ver que a sua prática “é a mais correta”. O FANÁTICO ACREDITA TER ACESSO EXCLUSIVO À VERDADE. Aí aflora o excesso.

 

O debate religioso ou ideológico, de per si, não é nocivo quando timbrado de racionalidade, liberdade de expressão e respeito à dignidade da pessoa humana. O diálogo tão propalado por Buber e Habermas e os enfrentamentos entre argumentos diversos são campo fértil para a construção das relações entre os homens, pois oportunizam aos indivíduos de diferentes formações o conhecimento acerca do universo do outro e a integração entre eles.

 

O fanatismo, ao contrário, subtrai a oportunidade do ouvir o outro, de estabelecer as semelhanças e as discrepâncias entre os modos de pensar e praticar a fé. Ao delimitar a própria crença como fundamental ou essencial – inclusive quando a crença é a ausência de fé – o fanático produz um abismo tal que o separa da vida social e quiçá de si mesmo.

 

O fanático acaba por palmilhar as veredas da irracionalidade por padecer de vazios existenciais ou mesmo por lhe faltar referenciais éticos e morais inteligentes. Não se ignora também que o fanatismo possui origens outras que desbordam do indivíduo, hipótese essa claramente esboçada no pensamento marxista acerca do papel da religião na sociedade. O fanatismo é criado nos porões das instituições injustas.

 

Ironicamente, O EXCESSO DO FANÁTICO É FRUTO DA FALTA. Falta da estima de si, da estima do outro e de instituições justas. (Guilherme de Almeida, agosto de 2013)



Escrito por Divagações Cerebrinas às 09h43
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