SØren Kierkegaard

(pouquíssimas divagações)

 

Kierkegaard: compromisso e solidão - Não é à toa que ainda falhemos em querer saber como viver bem. A arte da boa existência, da vida que vale a pena ser vivida, clama por um compromisso pessoal. Falta mesmo um compromisso, uma digna vontade de juntar o logos (razão) com a praxis (conduta). Até mesmo o compromisso de não ter compromisso algum já faria distinção entre os homens. Em verdade, quando nos comprometemos com algo ou alguém acabamos por segregar outros "algos" ou "alguéns, como sequela da escolha que precisa eliminar alternativas. Comprometer-se cria distinções, mas também cria inimizades. No caso da fé cristã, o fiel, ao abraçá-la, declara sua inimizade para com as obras carnais almejando viver das coisas espirituais. Inimizades também são criadas pelo comprometimento com uma crença pura e simples, distinta daquela professada por idólatras que foram seduzidos por sua própria ortodoxia. Criamos inimizades com amigos ao nos achegarmos a compromissos maiores que o vínculo com eles. Ter um ideal é colocar-se em posição de isolamento, pelo menos em princípio. Bem-aventurado é o homem que a despeito das distinções e das inimizades geradas por seus compromissos pessoais ainda consegue conectar-se a outros solitários compromissados. Que viva bem! (Guilherme de Almeida)